Um infeliz

Contava as moedas que levava no bolso. Não era muito, mas o suficiente para matar a sede.
Num bar próximo pediu ao garçom uma cerveja. Bebeu-a de um gole só, perguntando-se o que faria naquela noite de quinta.
Entediado, endividado e traído. Depois de ser trocado por um qualquer, largou o trabalho e decidiu recomeçar com um novo objetivo.
Não sabia qual seria e muito menos por onde começar. Mesmo porque tampouco soube dizer qual era o seu antigo objetivo.
Mas e agora, o que faria?
Talvez procurasse um amigo para dizer que estava cansado. Que tinha dúvidas. Que estava vazio e que, apesar dos 34 anos e da carreira que era promissora, agora via-se desempregado e tendo de economizar para que o rendimento rendesse ainda por um bom tempo.
Maldição, pensou. Tanto filho da puta por aí pra ser corno e logo eu.
De entediante passou a entediado. E traído.

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