Dead Girl Superstar

Humor e despudor na terra de Satanás.

Era uma tarde preguiçosa de uma terça-feira de 2006 na capital nipônica. Um homem falava ao telefone com um outro, reclamando do desinteresse dos dias, da namorada carente e do quanto a última compra da Amazon.com estava demorando pra chegar. Eis que, em algum lugar perto dali, um gênio criativo rabiscava mentalmente um esboço do que se tornaria o mais subversivo psycho action thriller até então produzido.

Suda 51 (No More Heroes e Lollipop Chainsaw), o tal gênio, deixou sua marca autoral no jogo que viria a se chamar Shadows of the Damned. Desenvolvido pelo próprio estúdio do autor, a Grasshopper Manufacture, e publicado em 2011 pela EA, Shadows é uma odisseia no submundo para resgatar a mulher amada. Assinado com muito sarcasmo e violência, e repleto de piadas sexuais, o jogo confirma o apelo de Suda à cultura pop e à não-necessidade de ser levado a sério.

“Let the bloodbath begin!”

Shadows é um jogo protagonizado pelo caça-demônios de origem mexicana Garcia Hotspur e  seu deleite em estourar miolos flamejantes atrás de sua namorada, Paula, roubada pelo lord das terras infernais. A companhia de Hotspur é Johnson, o demônio-amigo capaz de se transformar nas mais variadas armas e objetos. Tais com toques de humor simples, como a Hot Boner, arma sugestivamente capaz de criar uma reação de explosão em cadeia. Não só companheiro, Johnson é o guia do matador mexicano nas terras de sombra e o artífice das piadas sujas e quotes espirituosas (heh!). Ou seja, o elo no jogo entre a utilidade e o bom-humor.

Durante a trajetória de Garcia, é frequente aquela sensação de “but-our-princess-is-in-another-castle”: Paula sofre o martírio de morrer inúmeras vezes, sempre na presença do heroi mexicano, obrigando-o a prosseguir mais alguns capítulos na caçada. Além disso, no submundo, o maniqueísmo luz versus sombras é o mais forte obstáculo para Garcia, que precisa dissipar a escuridão azulada atirando na cabeça-troféu de um bode dourado, fonte de luz menos provável. E é somente com essa luz re-estabelecida que os demônios tornam-se vencíveis.

Em um ambiente de tensão decorado com corpos mutilados e povoado por demônios, Shadows se destaca como um must-play para aqueles que tiram um bom proveito da cultura subversiva e nonsense (destaque para a cena da cabana, com uma rápida citação do clássico do terror, Evil Dead), aproveitando os aspectos da narrativa visual, que promovem um show à parte, e pelas falas ácidas extraídas da mente corroída de Suda.

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